domingo, 22 de agosto de 2010

petra cortes e aureliano segundo

"(...) esgravatou tão profundamente nos sentimentos dela que, à procura do interesse, encontrou o amor, porque a tentar que ela o amasse acabou por amá-la. Petra Cortes, pelo seu lado, ia amando-o cada vez mais, à medida que sentia o carinho dele aumentar e foi assim como, na plenitude do Outono, voltou a acreditar na superstição juvenil de que a pobreza era uma condição do amor. Ambos evocavam então como um estorvo as paródias desatinadas, a riqueza aparatosa e a fornicação desenfreada e lamentavam-se de quanta vida lhes tinha custado encontrar o paraíso da solidão partilhada. Loucamente apaixonados ao fim de tantos anos de cumplicidade estéril, gozavam o milagre de amarem-se tanto à mesa como na cama e chegavam a ser tão felizes, que quando eram dois velhos esgotados ainda continuavam a traquinar como coelhinhos e a discutirem como cachorros."

Gabriel García Márquez, Cem anos de solidão

Sem comentários:

Enviar um comentário